segunda-feira, 8 de junho de 2015

Crianças, gatinhos e patinhos

O mundo fica a cada dia mais ridículo. Hoje, para provar essa tese, darei três exemplos de ideias equivocadas que assumem ares de coisa séria.

Duas delas vêm da pedagogia, das escolas de crianças, um dos campos em que o absurdo tomou conta das pessoas. As escolas viraram laboratórios de "experiências" em muitas áreas. Em vez de ensinar as capitais dos Estados e dos países, querem ensinar as crianças como elas devem se sentir (o que é "correto" sentir) diante das coisas. Muita dessa gente nem tem "moral" para pregar para os outros. Não confio em ninguém que posa de "correto".

Vamos ao primeiro exemplo. Tenho ouvido falar que em muitas escolas virou costume fazer um dia em que meninos vão vestidos de meninas e meninas vão vestidas de meninos.

Na cabeça desse povo, esse dia deve ser dedicado ao combate à violência de gênero. O que esses professores não sacam é que um pedido desse para crianças é em si uma violência de gênero e uma covardia, levando-se em conta que são crianças e que não têm como se defender dos delírios de teóricos bobos. E o pior é que pais inteligentinhos acham essa bobagem a última palavra em "ética". Risadas?

Outro dia ouvi de um menino de sete anos da classe C que sua professora pensava que ele era uma travesti porque tinha dito na classe que no dia X os meninos deviam ir vestidos de meninas e vice-versa. Mas, como ele não era uma travesti, recusou-se a ir vestido de mulher e me falou: "Eu não fui porque não sou travesti".

Veja, isso nada tem a ver com travestis adultos ou o direito de o ser (que julgo inquestionável, do ponto de vista do contrato democrático em que vivemos). Isso tem a ver com taras teóricas de professoras autoritárias que infernizam a vida das crianças com suas ideias descabidas.

Digamos de uma vez por todas: ninguém entende patavina de sexualidade. Mas ficou na moda dizer que entende.

Imagino que a autoritária de gênero, a professora desse menino (e de outros tantos e tantas), veja preconceito na fala dele. Eu vejo nessa professora a alma totalitária típica desses comissários do bem social. Uma praga que infesta as escolas e o mundo como um todo.

O mundo está cheio desses comissários, uma espécie de gente mandona que atormenta os outros com suas taras teóricas.

A verdade é que o mundo sempre foi um poço de loucuras, taras e incoerências. Por que agora passamos a achar que basta se dizer a favor do bem social e essa pessoa está a salvo de ser um obcecado qualquer exercendo suas taras teóricas sobre crianças que não têm como se defender diante dessas bobagens? E o pior é que muitos psicólogos abraçam essa baboseira.

O segundo exemplo também vem da educação: a decisão de mudar letras de músicas como "atirei o pau no gato" para coisas como "não atirei o pau no gato", a fim de fazer com que as crianças não maltratem os gatinhos. Crianças, na sua maioria esmagadora, sempre amaram gatinhos. Mas crianças não são anjinhos e, quando o são, são doentes. Por que psicólogos, pedagogos e pais se unem numa prática ridícula como essa? Ninguém mais quer ter filhos, e os poucos que têm os torturam com essas ideias bobas.

Duvido que músicas assim nos façam amar mais os gatinhos, assim como acredito que existam veganos infames e carnívoros malvados no meio da humanidade. Penso mais que músicas assim visam apenas satisfazer a tara teórica de algum pedagogo ou psicólogo que, em vez de estudar a sério, fica embarcando em modinhas. É mais um exemplo de comissários do bem social.

Esses caras devem achar que assim não existirão mais guerras no mundo e não precisaremos mais matar seres vivos para viver. Eis os famosos idiotas do bem.

E, por último, a terceira ideia: os mandões que querem nos proibir de comer foie gras em nome do bem dos patinhos. Adoro patinhos. A forma de produzir foie gras é mesmo feia. Mas, pergunto-me: quem ou o que esses santos contra o foie gras torturam por trás das cortinas?

Aposto que a mesma moçada que chora por gatinhos e patinhos não chora por bebês abortados. Interessante esse cruzamento de (in)sensibilidades, não?


Luiz Felipe Pondé

fonte: Folha de SP 08/06/2015

terça-feira, 10 de março de 2015

O triunfo dos monstros: torcedora gremista mudou a aparência e vive exilada por xingamento em campo


patricia
Alguém se lembra do caso da torcedora gremista Patrícia Moreira? Sua vida virou de cabeça pro ar depois que ela foi pega xingando o goleiro Aranha de “macaco” em uma partida entre Grêmio e Santos pela Copa do Brasil no dia 28 de agosto de 2014.
Depois disso, foi processada por injúria racial (processo do qual se safou), teve a casa incendiada. Humilhada em público, ainda foi pedir desculpa aos prantos para o goleiro. Que recusou o pedido.
Segundo matéria do R7, a jovem teve que mudar de emprego, de casa e escolheu a solidão.
O advogado de Patrícia, Alexandre Rossato, confirmou a transformação da sua cliente, que alterna momentos de depressão:
Ela mudou a aparência, mexeu no cabelo e de vez em quando usa gorro para se disfarçar, quando não está tão calor. Quer manter o anonimato e evitar qualquer xingamento ou agressões. As semanas variam entre evoluções e quedas, com todos os sintomas de uma pessoa depressiva, de altos e baixos.
Patrícia desistiu das redes sociais, pois ali passou a ser vítima de xingamentos e bullying.
Patrícia não tem feito nada, tem ficado só em casa, no canto dela. Os irmãos a pegam no fim de semana para não ficar tão presa. Mas ela quer ficar quieta. Trocou telefone, não tem rede social e só agora retomou o contato com alguns amigos
Como ela perdeu o emprego, teve se contentar com um trabalho inferior:
Ela tenta refazer a vida, está em um trabalho inferior ao anterior, mas é uma recolocação. Não é mais ameaçada, mas ficou tachada de racista. No ônibus, as pessoas a reconheceram, apontaram, mas como pega sempre o mesmo, já nem falam mais.
Lamentavelmente, Rossato também adotou o politicamente correto ao falar do caso, mostrando que ele é também vítima e propagador da doença que levou aos ataques contra sua cliente:
Ela foi tão vítima quanto o Aranha. Isso teve reflexo grande na vida dela. Ela tenta reverter, mostrar quem realmente é.
Mentira. Aranha não teve a vida destruída. Não teve casa incendiada. Não perdeu o emprego. Quem quer que equipare as duas consequências, possui ausência deliberada de senso de proporções e se torna incapaz de julgar o que é certo ou errado.
A verdade é que nós só mereceremos viver em sociedades civilizadas no dia em que transformarmos em monstros morais, dignos de rejeição social (a ponto de não merecerem nem mais o direito de frequentarem sua casa), pessoas que criarem situações para a destruição de vida de pessoas a partir de (1) politicamente correto, (2) jogos de vitimismo, (3) retórica de ódio, (4) ausência de senso de proporções, (5) encenações teatrais.
Jornalistas que exaltaram a turba para partir contra a garota deveriam ser tratados como se valessem menos que aquela substância que fica no canto da boca de algumas pessoas que estão com sede e falando muito. São nojentos, imundos, repelentes, etc.
Por sorte descobri que aquela garota de Santa Catarina que estava sendo perseguida por que criticou o estado do Maranhão era fake. É um alívio. Ou seja, psicopatas não conseguiram destruir a vida de uma pessoa, neste caso. Não tiveram o gostinho. Se fosse uma pessoa real, talvez tivesse o mesmo destino dessa torcedora gremista.
Essa epidemia de destruição de vidas de pessoas por absolutamente nada só vai parar quando começarmos a fazer algo e começarmos a apontar o dedo em qualquer formador de opinião, seja jornalista, repórter, jornal ou político, que tenha incitado a isso.
Está em nossas mãos punir moralmente, com rejeição social, a pior escória moral que já pisou sobre a face da Terra: a turma do politicamente correto.
Por: Luciano Ayan

quarta-feira, 4 de março de 2015

As ruas do PT


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Estou chegando da rua.
Tres ou quatro quilômetros em tres ou quatro horas. A aventura imprevisível de sempre.
As ruas do PT são a cara do PT.
Com o que já foi de todos retalhado, fatiado, loteado e “redistribuido” pelos critérios da segregação e do preconceito de classe a cidade que resulta do que São Paulo já foi é a cada dia menor para cada um dos seus cidadãos. Embora cada clientela com peso em qualquer tipo de cálculo eleitoreiro tenha um pedaço do antigo “espaço público” para chamar de seu, cada contribuinte e cada cidadão paulistano tem hoje apenas pedaços das ruas que já foram suas inteiras. Não é mais ele quem escolhe como e por onde quer andar por elas, respeitados os limites universalmente consagrados para preservar por igual os diretos individuais de todos, como acontecia quando vivíamos no limiar de um Estado de Direito.
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Não vivemos mais. Agora cada brasileiro tem um direito só seu segundo a sua “raça” ou sub-raça, o seu gênero ou sub-gênero, a sua “classe” ou sub-classe social, e até o partido ao qual declare simpatia. E não é só modo de dizer. Vale casa paga pelo governo, terreno tomado do alheio, direito de barrar rua de hospital e, é claro, a prerrogativa de delinquir impunemente chancelada pelo novíssimo Supremo Tribunal Federal esse tipo de critério.
Governar, que ha quase meio século já foi sinônimo de “construir estradas”, hoje é tarefa reduzida a “pintar ruas” nas metrópoles tomadas pela doença petista. Fora com os urbanistas, fora com os engenheiros, fora com os “tatuzões” de furar tuneis de metro. Para os almoxarifados das “obras” da prefeitura de Fernando Haddad bastam pincéis e latas de tinta.
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Cada via pública foi fatiada em “faixas” coloridas para ônibus, para ciclistas, para motociclistas, para pedestres, para automóveis, para automóveis de praça. Para o diabo!
O fato da cidade estruturalmente não comportar nada disso não importa a mínima. O PT nunca se dobra aos fatos como nos prova diariamente dona Dilma e a sua Petrobras. Nem que o Brasil inteiro afunde. Que dirá São Paulo!
Assim essas “faixas” todas correm, ora pela direita, ora pela esquerda, ora por cima, ora à margem do passeio público, ignorando obstáculos, subindo até pelas paredes, “ilhando” quilômetros seguidos de comércios e de empregos, anulando gerações inteiras de suor e trabalho e transformando a cidade num labirinto por onde todos se esgueiram apertados de faixa reservada em faixa reservada, de multa em multa, de radar em radar, de limite em limite de velocidade como num joguinho infernal.
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Como desistiram de enfiar os trens por baixo da terra correndo por trilhos desimpedidos como é da natureza desses veículos, o jeito foi trazê-los para a superfície e atirá-los por cima dessa fábrica de loucos, com o requinte de autorizá-los a andar no dobro da velocidade dos demais “porque é preciso favorecer os pobres”. E aí estão eles com seus três, até quatro vagões, os rabos trancando os cruzamentos quando o sinal fecha lá na frente, raspando o seu carrinho como bólidos num desembesto de motoqueiros-gigantes fazendo o seu coração dar saltos e, diariamente, esmagando carros e pessoas em horrendas colisões de elfantes contra formigas.
Mas o mais doloroso, o que mais confrange quem usa as janelas que ha hoje para esse mundo que voa lá fora, é ver a crescente multidão dos imbecis lobotomizados que nossas universidades públicas aparelhadas despejam diariamente nas ruas olharem encantados para esse fatiamento da cidadania, para esse dividir para reinar, essa fórmula primária de socialização da corrupção, essa reedição piorada do velho corporativismo cotrareformista lusitano inventado para barrar a entrada da democracia na nossa eterna idade média, e chamar a tudo isso sincera e orgulhosamente  de “modernidade”.
Aí dá vontade de chorar! De pena do Brasil dos meus filhos!
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Jean Wyllys, saia do armário!

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) ainda não saiu do armário. É uma pena, pois como ele mesmo diz, apesar de difícil, sair do armário é sempre melhor do que permanecer nele. No começo é preciso coragem pra se assumir, mas depois tudo passa a fazer sentido!


Jean Wyllys é um dos estridentes apoiadores do projeto de lei 1780/2011, de autoria do deputado Miguel Corrêa (PT-MG), que estabelece que a “tradição islâmica” faça parte da grade curricular do ensino básico no Brasil. Porque devemos ser plurais, etc.
O interessante é que o mesmo Jean Wyllys afirmou categoricamente – na audiência pública sobre o Plano Nacional de Educação no Congresso – o seguinte:
“A laicidade pressupõe que o Estado está protegido dos dogmas de qualquer religião. Ou seja, o Estado não pode atender em suas políticas públicas e diretrizes os dogmas de nenhuma religião, senão ele teria que atender os dogmas de todas”.
Mas, então, como justificar o apoio a um projeto de lei que coloca a tradição islâmica no currículo escolar do ensino básico? E por que negar o mesmo para a tradição judaico-cristã?
A fala do deputado reeleito em 2014 pelo Rio de Janeiro – atrás de Jair Bolsonaro, Clarissa Garotinho e Eduardo Cunha – fica mais clara quando ele completa:
“É muito curiosa a preocupação de setores fundamentalistas religiosos no Brasil.Aliás, não fundamentalistas religiosos porque não vemos fundamentalismos
de outras religiões; vemos fundamentalismos apenas as religiões cristãs. Não são todos fundamentalistas, mas há muitos na comunidade cristã!
Ou seja, o problema de Jean Wyllys não é necessariamente com as religiões e seus fundamentalismos, mas especificamente com o fundamentalismo cristão.  O que Jean chama de fundamentalista cristão?
É simples: fundamentalista cristão é aquele que discorda da agenda ideológica da esquerda; e o cristão não-fundamentalista é aquele que aceita a agenda ideológica da esquerda.
Fundamentalistas debaixo da cama
jean_iurd_reaçonaria
Jean Wyllys resiste em sair do armário, mas dá muita pinta. Ao ver uma simples foto do grupo Gladiadores do Altar, da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), na qual seus membros estão uniformizados e enfileirados, Jean Wyllys surtou em sua fanpage:
 Quando atentaremos de verdade para o monstro que emerge da lagoa? Quando começarem a executar os “infiéis” e ateus e empurrar os homossexuais de torres altas como vem fazendo o fundamentalismo islâmico no Oriente Médio? Não é porque tem a palavra “cristão” na expressão que o fundamentalismo cristão deixa de ser perigoso e não fará o que já faz o fundamentalismo islâmico
É interessante notar que o fundamentalismo islâmico só existe para Jean Wyllys quando lhe permitir atacar o cristianismo em seus arroubos retóricos.  Comparar meia dúzia de jovens evangélicos da IURD com decapitadores de pessoas é apenas um dos absurdos da declaração.
Gladiadores do Altar é um projeto social da Igreja Universal que tem como objetivo recrutar jovens para ações de impacto social em comunidades carentes e durante desastres como enchentes:
Seus membros são voluntários da Força Jovem Universal, programa social que conta com milhões de jovens em todo o Brasil e em outros países e que desenvolve atividades culturais, sociais e esportivas para auxiliar no resgate e amparo de populações de rua, viciados, jovens carentes e em conflito com a lei.   
Como bem definiu a própria Igreja Universal, em excelente resposta postada no site da igreja e distribuída à mídia gospel…
“Buscar uma motivação violenta ou condenável em jovens uniformizados que marcham e cantam unidos em igrejas é tão absurdo quanto enxergar orientação fascista em instituições como o Exército da Salvação e o Movimento Escoteiro, ambas organizações mundiais com base cristã e que, como a Universal, também se utilizam a analogia militar de forma positiva e pacífica”.
A verdade é que para Jean Wyllys pouco importam os fatos. O importante é enxergar em qualquer acontecimento uma prova de que o Brasil é uma teocracia em gestão e apenas um deputado socialista descolado, sempre vigilante no facebook, pode realmente nos salvar! 
Um Foucault tupiniquim
As coisas ficariam mais claras para todos os lados se Jean Wyllys simplesmente saísse do armário e assumisse que sua política é fruto de puro ódio contra cristãos e conservadores. O deputado socialista até perdoa famosos esquerdistas homofóbicos, mas jamais os cristãos:
“O argumento de que ‘Che Guevara era homofóbico’ além de empobrecer uma rica biografia e de simplificar uma personalidade complexa – e só ignorantes são capazes desse reducionismo constrangedor – não leva em conta que em sociedades capitalistas como a nossa e dos EUA os homossexuais são vítimas não só de discursos de ódio, mas de homicídios numa proporção assustadora (…)”
jean_che_reaçonariaOu seja: OK, Che era homofóbico, mas vamos mudar de assunto e falar dos Estados Unidos, aquela maldita democracia fundada por cristãos protestantes onde negros, gays e mulheres podem votar e ser eleitos!
Tal como Michel Foucault – outro socialista libertário encantado com o islamismo – Jean Wyllys até tolera os ensinamentos dos Aiatolás (que não gostam muito de gays né…). Wyllys só não tolera o opressivo cristianismo das democracias ocidentais.
Em tempo: sou contra educação religiosa nas escolas públicas. Religião é uma questão da esfera individual e das famílias e o Estado deve passar longe de qualquer proselitismo.
Mas é uma ingenuidade pensar que os intelectuais de esquerda são contra teocracias: desde que seja uma teocracia inimiga dos Estados Unidos, do cristianismo ou da civilização ocidental, dá pra sentar e conversar. Rola até um encontro entre socialistas libertários e Aiatolás.
Quem sabe um dia, como o filósofo francês que enxergava o Ocidente como uma grande prisão, Wyllys vá visitar o Irã teocrático – onde os homossexuais são enforcados, mas a retórica é anti-imperialista – e volte de lá com ótimas impressões. Vamos lá, Jean, saia do armário!
Por: Thiago Cortez

segunda-feira, 2 de março de 2015

FGTS, INSS e Aviso Prévio - um assalto ao trabalhador, disfarçado de direito


boneco.jpgTodo político adora falar que defenderá "os direitos" dos trabalhadores custe o que custar, que jamais cederá, e que manterá os "benefícios conquistados".
A questão é: há realmente algum ganho para o trabalhador?  Ou há apenas ônus?
Na prática, ao impor encargos sociais e trabalhistas — todos eles custeados pelo próprio trabalhador, como será mostrado mais abaixo —, o governo está dizendo que sabe administrar melhor o dinheiro do que o próprio trabalhador.  
Mais ainda: se o trabalhador é obrigado a pagar por seus "direitos", então ele não tem um direito, mas sim um dever.
Os tais "direitos trabalhistas" nada mais são do que deveres impostos pelo governo ao trabalhador.  E, para arcar com esses deveres, a maior parte do salário do trabalhador é confiscada já na hora do pagamento.
Somente para bancar os benefícios básicos — férias, FGTS, INSS, encargos sobre aviso prévio — são confiscados R$ 927 mensais de um trabalhador que recebe em suas mãos salário mensal de R$ 1.200.
Um funcionário trabalhando em regime CLT, com um salário contratado de R$ 1.200, custará efetivamente ao seu empregador 80% a mais do que o seu salário. 
Confira a tabela abaixo:
tabela.png
Fonte: http://www.campesi.com.br/custofunc.htm
Ou seja, por causa dos encargos sociais e trabalhistas impostos pelo governo, o patrão tem um gasto de R$ 2.127 com o trabalhador, mas o trabalhador recebe apenas R$ 1.200.  Toda a diferença vai para o governo.  
E há quem acredite que isso configura uma "conquista trabalhista" e um "direito inalienável do trabalhador".
Mais ainda: esses não são os únicos custos para o patrão.  Em primeiro lugar, os custos podem variar ainda mais conforme o sindicato de classe, o regime de apuração da empresa e o ramo de atividade.  Há ocasiões em que os encargos sociais e trabalhistas podem chegar a quase 102% do salário.  Adicionalmente, a empresa também tem de ter uma reserva para gastar em tribunais, pois sempre há funcionários saindo e acionando a empresa na Justiça do trabalho.  Há também os custos de recrutamento de funcionários, os quais aumentaram muito em decorrência da política de seguro-desemprego e bolsa- família.  E quem paga todos esses custos são os trabalhadores.
Eu mesmo, na condição de empresário, preferiria pagar R$ 2.200 por mês para um funcionário em um país sem encargos e leis trabalhistas do que R$ 1.200 no Brasil.  Com esse salário mais alto eu teria, no mínimo, funcionários mais motivados.  Mas, como não sou uma fábrica de dinheiro, não tenho condições de fazer isso.
Mas a espoliação do trabalhador é ainda pior do que parece.  Veja, por exemplo, o que acontece com o FGTS.  Essa quantia, que poderia ser incorporada ao salário do trabalhador, é desviada para o governo e só pode ser reavida em casos específicos (ou após a aposentadoria).  
Na prática, o governo "pega emprestado" esse dinheiro do trabalhador e lhe paga juros anuais de míseros 3%.  Dado que a caderneta de poupança rende 7% ao ano, e a inflação de preços está em 7,2% ao ano, o trabalhador não apenas deixa de auferir rendimentos maiores, como ainda perde poder de compra real com a medida.  
E para onde vai o dinheiro do FGTS? Uma parte vai para subsidiar o BNDES e a outra vai para financiar a aquisição de imóveis — algo completamente sem sentido, pois a aplicação desse dinheiro na caderneta de poupança já permitiria ao trabalhar obter o dobro do rendimento e, com isso, ter mais dinheiro para comprar imóveis.
E vamos aqui dar de barato e desconsiderar as cada vez mais frequentes notícias de uso indevido desse dinheiro.  (R$ 28 bilhões de reais do FGTS foram investidos pelo BNDES em várias empresas, mas não há nenhuma informação sobre quais empresas receberam o dinheiro, quanto receberam, e quais as condições de pagamento).
No caso do INSS, R$ 398,46 são confiscados mensalmente com a promessa de que o trabalhador irá receber saúde (SUS), seguro de vida e previdência.  Não irei aqui comentar sobre a qualidade e a confiabilidade destes três.  Irei apenas dizer que, caso o trabalhador tivesse a opção de ficar com este dinheiro, ele poderia recorrer ao mercado privado e voluntariamente contratar um plano de saúde, um seguro de vida e previdência por R$ 300 e ainda receber um serviço melhor do que o do SUS.
(E, se o governo eliminasse os impostos sobre esses setores, bem como abolisse toda a regulamentação, o valor poderia baixar para R$ 200, e o trabalhador poderia obter um serviço de maior qualidade.)
Por fim, o aviso prévio faz com que muitas empresas demitam os funcionários sem necessidade.  Por exemplo, se uma empresa está passando por uma fase difícil e não tem certeza de que poderá manter o funcionário por mais de um mês, será mais racional demitir para não correr o risco de mantê-lo por mais tempo e, consequentemente, não poder honrar suas obrigações trabalhistas depois.  
O aviso prévio também trava as empresas, que podem se ver obrigadas a demitir um funcionário produtivo, mas que ainda está no período de experiência, e ao mesmo tempo manter um funcionário improdutivo, mas que já cumpriu o período de carência.  Tudo isso só para não pagar o aviso prévio.
Esse custo da improdutividade será descontado de todos os funcionários.
E tudo isso para não mencionar os outros impostos que incidem sobre as empresas e que afetam sobremaneira sua capacidade de investir, de contratar e de aumentar salários.  No Brasil, a alíquota máxima do IRPJ é de 15%, mas há uma sobretaxa de 10% sobre o lucro que ultrapassa determinado valor.  Adicionalmente, há também a CSLL(Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido), cuja alíquota pode chegar a 32%, o PIS, cuja alíquota chega a 1,65% e a COFINS, cuja alíquota chega a 7,6%.  PIS e COFINS incidem sobre a receita bruta.  Há também o ICMS, que varia de estado para estado, mas cuja média é de 20%, e o ISS municipal.  Não tente fazer a conta, pois você irá se apavorar.
O custo de todo esse sistema para o trabalhador é muito maior do que as eventuais vantagens que ele possa oferecer (se é que há alguma).  
Dado o atual arranjo, seria muito mais proveitoso tanto para o trabalhador quanto para as empresas dobrar o salário-mínimo e eliminar os encargos sociais e trabalhistas.  Haveria mais dinheiro nas mãos de cada trabalhador, haveria uma mão-de-obra mais motivada, e ainda atrairíamos muito mais empresas para o país, o que naturalmente forçaria ainda mais o aumento natural dos salários.  Isso, por si só, tornaria obsoleta a lei do salário-mínimo, levando à sua extinção.

Por: Renato Furtado

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

A Defesa Moral dos Combustíveis Fósseis


Alfredo Sirkis assina um artigo hoje, 16/02, em O Globo onde defende que o paíse deveria investir mais em energia solar, não por acaso, uma das meninas dos olhos dos ambientalistas, juntamente com a energia eólica. De acordo com o autor, já é tempo de dar à energia solar um empurrãozinho (leia-se: subsídios).   Sirkis abre o artigo com alguns dados:
A produção de energia solar, em todo o planeta, cresceu 39% em 2013. A Alemanha, com duas vezes e meia menos insolação que o Brasil, já é capaz, em determinados dias de verão, de atender 40% do consumo com suas “fazendas solares” e geração solar distribuída. A China em poucos anos tornou-se uma potência solar, conseguindo baratear seus painéis fotovoltaicos em mais de 80%. Os EUA incrementaram seu solar em 418% entre 2010 e 2014.
O que Sirkis não diz é que, apesar de todos esses incrementos, a energia solar representa menos de um por cento da energia consumida no mundo, como mostra o gráfico abaixo.
Ao ler o artigo de Sirkis, não pude deixar de lembrar de um excelente livro que li há pouco: “A defesa moral dos combustíveis fósseis”, de Alex Epstein.
Segundo Epstein, os “experts” quase sempre se concentram sobre os riscos e os malefícios inerentes aos combustíveis fósseis, mas quase nunca nos seus imensos benefícios. E os benefícios dessa energia barata e confiável, que alimenta as máquinas e equipamentos de nossa civilização são enormes. Na verdade, eles são fundamentais para nossa vida, produzindo alimentação, vestuário, abrigo e assistência médica abundantes, entre outros bens e serviços.
Não por acaso, segundo Epstein, e ao contrário do que gostariam os ambientalistas como Sirkis, “a partir da década de 1970 até o presente, os combustíveis fósseis têm sido esmagadoramente o combustível escolhido, particularmente nos países em desenvolvimento. Se, nos Estados Unidos, entre 1980 e 2012, o consumo de petróleo aumentou 8,7%, o consumo de gás natural aumentou 28,3%, e do consumo de carvão aumentou 12,6%, durante esse mesmo período, no mundo em geral, o aumento do uso de combustíveis fósseis foi muito maior. Hoje, o planeta utiliza 39% a mais de óleo, 107% mais carvão e 131% mais de gás natural que em 1980”.
Enquanto isso, as energias prediletas dos ambientalistas – solar e eólica – representam apenas uma percentagem ínfima da energia consumida no mundo, pois além de serem muito caras, são pouco confiáveis, principalmente em razão da sua intermitência e dificuldade de armazenamento.
Epstein demonstra no livro, através de um grande número de dados conhecidos, a forte correlação histórica entre o aumento do uso de combustíveis fósseis e o incremento dos padrões de vida do ser humano.
Há dados interessantíssimos, embora contrários ao senso comum e às notícias alarmantes que a mídia em geral não para de produzir, demonstrando de forma inequívoca as reduções drásticas nos infortúnios relacionados com o clima, incluindo as mortes por secas, tempestades, inundações, nevascas, etc.
Como não poderia faltar, há capítulos inteiros dedicados ao aquecimento global, onde o autor separa o que há de científico do que é simplesmente alarmismo baseado em hipóteses que não estão se confirmando.  Para começar, ele explica a ciência por trás da teoria do Aquecimento Global:
“Aqui está o resumo do que realmente ocorreu – um resumo com o qual quase todos os cientistas do clima teriam de concordar. Desde a revolução industrial, a proporção de CO2 na atmosfera aumentou de 0,03% para 0,04%, e as temperaturas subiram menos de um grau Celsius, a mesma taxa de aumento ocorrida em muitos outros pontos na história. Poucos negam que, durante os últimos quinze anos ou mais, um período acentuado de aceleração das emissões de CO2, tem havido pouco ou nenhum aquecimento – algo que nenhum dos modelos conseguiram prever…
Portanto, todas as previsões de futuras consequências drásticas estão baseadas em modelos especulativos que não conseguiram prever a tendência até aqui, e especulam sobre uma tendência radicalmente diferente do que o que realmente aconteceu nos últimos 30 a 80 anos de emissões em quantidades substanciais de CO2 .”
O que nos traz ao gráfico mais estupefaciente de todo o livro, que mostra de forma claríssima como todos os modelos de previsão climática falharam até aqui de forma drástica:

E são esses mesmos modelos falhos que ainda tentam nos empurrar goela abaixo para nos convencer de que os combustíveis fósseis representam o apocalipse da humanidade.
Epstein trata ainda, de forma interessante e didática, da questão da “sustentabilidade”, explicando que “recursos” não existem em si mesmos, mas são o resultado da inovação e da tecnologia humanas.
“Os recursos não são tomados da natureza, mas criados a partir da natureza “, diz ele. “O que vale para as matérias-primas de carvão, petróleo e gás, também se aplica a cada matéria-prima na natureza. Eles são todos os recursos possíveis, com potencial ilimitado a se tornar valioso pelas mentes humanas. . . . Não há limite inerente para os recursos energéticos – só precisamos de liberdade e da engenhosidade humana para para descobrir maneiras de transformar energia sem uso em energia utilizável…”
Este é o princípio que explica a forte correlação entre o uso de combustíveis fósseis e o enorme progresso havido nos últimos dois séculos: a engenhosidade humana transformando recursos potenciais em recursos reais – incluindo o recurso mais fundamental, a energia.
“Se olharmos para a história”, diz Epstein, “uma porcentagem extremamente desproporcional de idéias valiosas ocorreram nos últimos séculos, coincidindo com a civilização do combustível fóssil. Por quê? Porque tal civilização produtiva nos compra tempo para pensar, descobrir e, em seguida, usar esse conhecimento para nos tornar mais produtivos…  Devemos ser gratos às gerações passadas pela produção e o consumo de combustíveis fósseis, e não pensar em restringi-los e tentar sobreviver com algo inferior”.
Na verdade, temos volumes efetivamente ilimitados de recursos à nossa disposição, diz Epstein. Tempo é o insumo de que mais precisamos: “Se a vida humana é o nosso padrão, então o recurso mais importante em que se deve focar é o nosso tempo. O uso de combustíveis fósseis nos compra tempo. Ela nos compra mais vida. Ele nos compra mais oportunidades. Ele nos compra de mais recursos. Os combustíveis fósseis são uma ferramenta incrível para criar esta valiosa forma de riqueza, este recurso supremo: tempo para usar as nossas mentes e os nossos corpos para desfrutar de nossas vidas, tanto quanto possível.”
Isso traz Epstein ao seu capítulo final, que envolve uma discussão da patologia mental ambientalista. “A razão pela qual eles se opõem aos combustíveis fósseis, e não enxergam as suas virtudes, não é principalmente por causa da falta de conhecimento factual, mas por causa da presença de um preconceito irracional . . . . O preconceito, encampado de forma consistente pelas lideranças ambientalistas … está na ideia de que a natureza intocada é o padrão último de valor.”
“A oposição dos líderes ambientalistas aos combustíveis fósseis … é uma tentativa coerente de perseguir o seu nível real de valor: um ambiente puro, uma natureza intocada. Energia é o nosso meio mais poderoso de transformar o ambiente em nossa volta para atender às nossas necessidades. Se o nosso padrão de valor é um ambiente inalterado, não transformado, então nada pode ser pior do que a existência de uma energia barata, abundante, e confiável.”
Evidentemente, Epstein não nega que o desenvolvimento e a energia dos combustíveis fósseis que o sustenta criam subprodutos – como o “smog” do carvão que ocorreu no passado em Londres e atualmente acorre em várias cidades chinesas – que devem ser minimizados, como já é feito nos países mais adiantados.  Mas esses subprodutos devem ser vistos no contexto geral dos benefícios obtidos a partir dos combustíveis fósseis.  E, como ele muito bem explica no livro, esses benefícios superam em muito os eventuais efeitos negativos, além do fato de que as novas tecnologias têm conseguido cada vez mais neutralizar esses efeitos.
Por: João Luiz Mauad

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A economia do Masoquistão, o país dos masoquistas

O Masoquistão, país de dimensões continentais situado abaixo da linha do Equador, é a terra dos masoquistas. O governo dessa estranha nação se esforça para tornar a vida um eterno inferno, enquanto os cidadãos escolhem os políticos que mais os castigam. Hoje falaremos da economia do Masoquistão, área em que esse padrão de comportamento se revela de forma mais patológica.

As empresas estatais do Masoquistão oferecem serviços terríveis, criam rombos no orçamento, estão atoladas em corrupção e de vez em quando abrigam acidentes de trabalho com explosões e morte de operários. Por isso mesmo os cidadãos as consideram orgulho nacional – e são radicalmente contra propostas de privatização. Na campanha eleitoral, candidatos se valem desse tabu para trocar acusações. “Você vai privatizar! Vai nos livrar daquela empresa que nos faz tanto mal!”, diz um candidato. “Pelo contrário, vou reestatizar”, responde o adversário.
Jovens estão entre os defensores mais radicais do sofrimento causado pelas estatais e pelo urbanismo do Masoquistão. Enquanto a Justiça e a imprensa revelam escândalos bilionários de corrupção na maior empresa estatal do país, jovens manifestantes tomam as ruas, depredam bancos e queimam carros reivindicando:
- Queremos mais estatais! Lutamos por uma grande estatal do transporte coletivo!
Os políticos com mais sucesso no Masoquistão estão sempre atentos a formas de aumentar a agonia dos cidadãos. Um caso exemplar dessa tendência ocorreu em dezembro de 2013. Em pleno período de férias, quando milhares de pessoas se preparavam para viajar ao exterior, o governo elevou o aumento do imposto para compras internacionais no cartão de crédito. A medida foi considerada urgente para garantir a preocupação dos habitantes mesmo quando estivessem fora do país.
As leis trabalhistas do Masoquistão são conhecidas no mundo inteiro por tirar o incentivo a contratações e empurrar metade dos trabalhadores do país à informalidade. Por isso mesmo, quando o governo pensa em flexibilizar as leis, provoca uma gritaria geral da população. Rapidamente o governo volta atrás; diz que foi um mal-entendido e promete seguir atrapalhando os trabalhadores.
Todos no Masoquistão sabem que poderiam comprar carros, computadores, remédios, máquinas, equipamentos médicos e uma infinidade de produtos muito mais baratos no exterior. Ora, isso seria fácil demais. Para evitar algo que poderia ser considerado felicidade, todos por ali concordam que é preciso elevar barreiras alfandegárias e dificultar a compra de importados.  Sem concorrência, as montadoras nacionais produzem carros mais caros, de pior qualidade e com menos segurança que os importados. Tudo o que masoquistaneses mais desejam.
É verdade que nem tudo no cotidiano do Masoquistão é sofrimento. Alguns empreendedores até conseguiram facilitar a vida dos moradores, fornecendo a eles comida barata, aparelhos eletrônicos e remédios a doenças antes incuráveis. Se os masoquistaneses gostam? Nada. Eles culpam as empresas e o agronegócio por todos os problemas do país. Aprendem na escola a odiar grandes empresas e idolatrar líderes que lutaram contra o capitalismo, empobreceram países e ergueram ditaduras.
Na história recente do Masoquistão, uma presidente se destacou por esculhambar a economia inteira. Aumentou a dívida pública, descuidou da inflação, quebrou contratos e afugentou investidores e empresários que criariam empregos. Foi reeleita com festa pela população.

Por: Leandro Narloch

fonte: http://veja.abril.com.br/blog/cacador-de-mitos/2015/02/11/a-economia-do-masoquistao-o-pais-dos-masoquistas/