segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Criminosos recebidos a tiro querem fazer boletim de ocorrência? Isso é Brasil…



Guilherme Boulos ao lado da presidente Dilma: No Brasil, o crime compensa!
Imagine, prezado leitor, que um bando de invasores tente tomar um terreno ao lado de seu prédio. Agora imagine que alguns moradores, em legítima-defesa, comecem a atirar para o alto para espantar os criminosos. Agora mergulhe no mundo surreal, imagine-se em um quadro de Dali ou em uma história de Lewis Carroll, e tente conceber a ideia de que os próprios invasores é que pretendem fazer um boletim de ocorrência na polícia. Imaginou? Bem-vindo ao Brasil moderno!
Eis a notícia na Folha: O grupo de sem-teto que invadiu durante a noite de sexta-feira (5) e madrugada de sábado (6) um terreno de 30 mil m², próximo ao cemitério Gethsemani, na região da Vila Sônia, na zona oeste de São Paulo, diz ter sido recebido com tiros para o alto de homens armados que tentaram impedir a ocupação. Os invasores não têm certeza se os responsáveis pelos disparos foram vigias ou moradores dos prédios de luxo que ficam no entorno da área invadida.
“A gente achou que eram fogos [de artifício] na rua, mas quando a gente viu, os homens estavam atirando.” Nas imagens feitas pela Folha é possível ouvir o barulho do que seriam os disparos.Segundo o coordenador nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), Guilherme Boulos, será registrado um boletim de ocorrência.
Os sem-teto também afirmaram que moradores vizinhos ao terreno jogaram lixo pelas varandas e acionaram a Polícia Militar. A ação foi coordenada pelo MTST, em conjunto com moradores de comunidades locais que alegam não ter dinheiro para pagar aluguel.
A área, segundo a Secretaria Municipal de Habitação, pertence à prefeitura, mas há também uma parte do terreno que seria particular. A prefeitura não soube especificar quem é a dona do terreno e afirmou que terá esses detalhes apenas na segunda-feira (8).
De acordo com o movimento, cerca de 500 pessoas estão no local. A GCM (Guarda Civil Metropolitana), que acompanhou o início da ocupação, diz que são 300 pessoas.
Segundo Boulos, que é colunista da Folha, trata-se de uma área de ZEIS (Zona Especial de Interesse Social) prevista pelo Plano Diretor, na qual não há projeto de construção de moradia popular até o momento.
É tanto absurdo em tão pouco espaço que choca! Primeiro, o uso do eufemismo “ocupação”. Se eu invadir uma propriedade privada, isso não será uma “ocupação”, e sim uma invasão criminosa, prevista no código penal. Segundo, o fato de o próprio invasor se achar no direito de registrar uma ocorrência policial, sendo que em qualquer país sério ele iria automaticamente para a cadeia.
Terceiro, a alegação de que esses invasores não teriam dinheiro para pagar o aluguel, como se isso, mesmo sendo verdade, fosse justificativa para invadir terrenos por aí. Quarto, o invasor achar que, por ainda não haver projeto de construção popular no local, isso lhe dá o direito de simplesmente tomar o terreno para si na marra.
Por fim, o fato de que o líder dos invasores é colunista do jornal, que ainda afirma isso com uma espécie de orgulho. Ou seja, o maior jornal do país tomou claro partido no caso, e não foi o daqueles que tentaram defender sua propriedade paga com seu esforço, mas sim o daqueles que se julgam acima das leis e no direito de invadir, pilhar e tomar o que “é deles”, por decreto ditatorial do próprio garoto mimado.
Não acho que autor algum do surrealismo poderia sequer imaginar tanta loucura…
Rodrigo Constantino

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